Vacina causa autismo? O que a ciência realmente mostra

Não. Vacinas não causam autismo. Essa associação já foi investigada em grandes estudos envolvendo centenas de milhares — e, em conjunto, mais de um milhão — de crianças, sem evidência de aumento do risco de Transtorno do Espectro Autista (TEA) após a vacinação. Essa também é a posição da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da American Academy of Pediatrics (AAP)

De onde surgiu essa história?

Grande parte do medo começou em 1998, após a publicação de um artigo que sugeria uma possível relação entre a vacina tríplice viral — sarampo, caxumba e rubéola (SCR/MMR) — e o autismo.

Posteriormente, foram identificados graves problemas científicos e éticos nesse trabalho, e o artigo foi retirado da literatura. A SBP destaca que as pesquisas realizadas posteriormente não confirmaram a associação entre vacinação e TEA. 

Mas a ciência não parou por aí. A hipótese continuou sendo estudada extensivamente.

O que os grandes estudos encontraram?

Um dos maiores estudos sobre o assunto acompanhou 657.461 crianças dinamarquesas. Os pesquisadores compararam crianças que receberam ou não a vacina MMR e concluíram que a vacinação não aumentou o risco de autismo.

O estudo também avaliou uma preocupação importante: será que a vacina poderia desencadear autismo apenas em crianças que já apresentassem maior predisposição? Também não foi encontrada essa associação, inclusive entre crianças com fatores de risco ou histórico de autismo entre irmãos. 

Outra análise reuniu cinco estudos de coorte, totalizando 1.256.407 crianças, além de cinco estudos caso-controle. O resultado novamente foi consistente: não houve associação entre vacinação e autismo, nem entre autismo e a vacina MMR ou exposição ao timerosal. 

Uma revisão sistemática publicada em Pediatrics, periódico da AAP, também concluiu que há forte evidência de que a vacina MMR não está associada ao autismo

Mas por que algumas famílias percebem os primeiros sinais depois das vacinas?

Existe uma coincidência temporal importante.

Muitas vacinas são administradas justamente nos primeiros anos de vida, período em que características do TEA podem começar a se tornar mais perceptíveis. Isso pode criar a impressão de que um evento provocou o outro.

Mas acontecer depois não significa ter sido causado por aquilo.

A AAP reforça que décadas de pesquisas de grande escala não encontraram uma relação causal entre vacinas e autismo. 

E o timerosal?

Esse também foi amplamente estudado.

Uma grande meta-análise não encontrou associação entre timerosal, mercúrio presente nas vacinas estudadas e desenvolvimento de autismo

Outra meta-análise que avaliou especificamente exposição ao timerosal também não encontrou aumento significativo do risco de TEA. 

Então, o que sabemos sobre as causas do autismo?

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento, com origem complexa e importante participação de fatores genéticos. Diferentes fatores biológicos e ambientais continuam sendo estudados, mas as evidências disponíveis não sustentam as vacinas como causa do autismo

Vacinar continua sendo uma forma de proteção

É natural que pais tenham dúvidas sobre aquilo que administramos aos nossos filhos. Questionar e buscar informações faz parte do cuidado.

Mas é importante que essas decisões sejam baseadas em evidências científicas confiáveis.

Vacinas não causam autismo. Elas protegem as crianças contra doenças potencialmente graves e fazem parte das estratégias mais importantes de prevenção em saúde infantil.

Em caso de dúvidas sobre alguma vacina específica ou sobre o calendário vacinal do seu filho, converse com o pediatra.

Dra. Bruna Cezar
Pediatra e Cardiologista Pediátrica
CRM-SP 150.104 | RQE 82.125 | RQE 82.125-1

Sobre a autora

Dra. Bruna Cezar, formada em pediatria pela Universidade de Federal de São Paulo, com especialização em Cardiologia Pediátrica e Ecocardiografia Infantil e Fetal, pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Com anos de experiência e atuação na área, dedico-me a oferecer um atendimento de excelência, priorizando o cuidado humanizado e a atenção personalizada às necessidades de cada criança, que são únicas.

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