O que esperar do sono do bebê no primeiro ano?

Quando parece que o bebê finalmente começou a dormir melhor, de repente ele volta a acordar várias vezes durante a noite. É comum ouvir que isso é uma “regressão do sono”.

Mas vale entender um ponto importante: regressão do sono não é um diagnóstico médico nem acontece obrigatoriamente em idades exatas. O sono do bebê amadurece rapidamente durante o primeiro ano e pode sofrer períodos de maior instabilidade junto com mudanças no desenvolvimento, novas habilidades, crescimento e alterações na rotina.

Por volta dos 3–4 meses

Essa costuma ser a mudança mais perceptível. Nos primeiros meses, o sono ainda é bastante imaturo. Entre 2 e 4 meses, o ritmo circadiano começa a se organizar e o bebê passa gradualmente a diferenciar melhor o dia da noite. 

Nessa fase, algumas famílias percebem mais despertares, dificuldade para iniciar o sono ou cochilos mais curtos. Na verdade, mais do que uma “regressão”, estamos diante de uma importante maturação da organização do sono.

Por volta dos 6 meses

Aos 6 meses, muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo: o bebê está mais ativo, começa a sentar, rolar e explorar o ambiente, além de iniciar a alimentação complementar.

O sono também continua amadurecendo. A SBP descreve que, entre 6 e 9 meses, muitas crianças começam a apresentar períodos mais prolongados de sono noturno e dois ou três cochilos durante o dia. 

Mesmo assim, despertares continuam sendo possíveis — e normais.

Por volta dos 8–10 meses

Essa é outra fase em que muitos pais relatam uma piora temporária do sono. O bebê está adquirindo novas habilidades motoras e cognitivas e passa a ter uma percepção muito maior do ambiente e das pessoas ao seu redor.

Pode querer ficar em pé no berço, engatinhar pela casa durante o dia e solicitar mais a presença dos pais à noite. Por isso, é possível perceber maior resistência para dormir e novos despertares.

Por volta dos 12 meses

Perto do primeiro aniversário, novas mudanças podem acontecer: primeiros passos, primeiras palavras, maior interação com o ambiente e mudanças nas sonecas.

Ao final do primeiro ano, o sono noturno está progressivamente mais consolidado, embora despertares breves entre os ciclos continuem fazendo parte da fisiologia do sono. 

O que fazer durante essas fases?

Mais importante do que tentar “corrigir” cada despertar é manter uma rotina previsível: horários relativamente regulares, ambiente tranquilo, redução dos estímulos antes de dormir e oportunidade para que o bebê desenvolva gradualmente sua capacidade de voltar a adormecer. A SBP destaca a importância da higiene do sono e da orientação antecipatória desde os primeiros meses. 

E uma regra continua valendo durante todo o primeiro ano: sono seguro sempre. O bebê deve ser colocado para dormir de barriga para cima, em superfície firme e plana, sem travesseiros, protetores, mantas soltas ou outros objetos no espaço de sono, conforme as recomendações de sono seguro da AAP divulgadas também pela SBP. 

💛 Nem toda piora do sono significa que existe algo errado. Muitas vezes, o bebê simplesmente está crescendo — e o sono também está amadurecendo com ele.

Se os despertares forem muito frequentes, persistentes ou vierem acompanhados de outros sintomas, vale conversar com o pediatra para avaliar cada caso individualmente.

Dra. Bruna Cezar
Pediatria e Cardiologia Pediátrica
CRM-SP 150.104 | RQE 82125 | 821251

Sobre a autora

Dra. Bruna Cezar, formada em pediatria pela Universidade de Federal de São Paulo, com especialização em Cardiologia Pediátrica e Ecocardiografia Infantil e Fetal, pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Com anos de experiência e atuação na área, dedico-me a oferecer um atendimento de excelência, priorizando o cuidado humanizado e a atenção personalizada às necessidades de cada criança, que são únicas.

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