Febre em crianças: quando devo me preocupar?

Febre é uma das situações que mais preocupam os pais. Mas é importante lembrar: febre não é uma doença, e sim uma resposta do organismo, geralmente a uma infecção.

E nem sempre uma temperatura mais alta significa uma doença mais grave. Mais importante do que olhar apenas para o termômetro é observar como a criança está.

Como medir a temperatura?

Uma orientação que sempre dou às famílias é: em casa, prefira medir a temperatura na axila com termômetro digital.

Os termômetros de testa são práticos, mas podem apresentar variações conforme o aparelho, o ambiente e a técnica utilizada. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a aferição axilar com termômetro digital no ambiente domiciliar.

De maneira geral, consideramos febre quando a temperatura axilar é ≥ 37,5 °C.

Bebê com menos de 3 meses e febre: atenção!

Esse é um ponto muito importante: febre em um bebê com menos de 3 meses deve ser considerada potencialmente grave até avaliação médica.

Mesmo que o bebê pareça bem, algumas infecções importantes nessa idade podem se manifestar inicialmente apenas com febre.

Por isso, bebê menor de 3 meses com febre precisa de avaliação médica imediata. Não é uma situação para apenas administrar antitérmico e observar em casa.

Mais importante que o número: observe a criança

Uma criança com 39 °C que está ativa, interage, aceita líquidos e melhora quando o desconforto passa pode preocupar menos do que outra com 38 °C que está muito prostrada ou pouco responsiva.

Além da temperatura, observe principalmente comportamento, respiração, hidratação, alimentação e estado geral.

Quando procurar atendimento?

Além dos bebês menores de 3 meses, alguns sinais merecem avaliação médica: dificuldade para respirar, lábios arroxeados, sonolência excessiva ou dificuldade para despertar, prostração importante, recusa persistente de líquidos ou mamadas, pouca urina, vômitos repetidos, convulsão, rigidez de nuca, manchas arroxeadas ou avermelhadas que não desaparecem à pressão ou piora progressiva do estado geral.

Também vale procurar o pediatra quando a febre persiste por vários dias ou a criança continua muito abatida mesmo quando a temperatura diminui.

Preciso dar antitérmico sempre?

Não necessariamente.

O objetivo do antitérmico é principalmente melhorar o conforto da criança, e não fazer o termômetro voltar obrigatoriamente ao normal.

Se a criança está confortável, hidratada e com bom estado geral, o número isolado no termômetro não deve ser o único motivo para medicar. Quando necessário, o antitérmico deve ser utilizado na dose adequada para o peso e conforme orientação do pediatra.

E nada de banho gelado, gelo ou álcool para tentar baixar a febre.

💛 Na febre, olhe para o termômetro, mas principalmente para a criança.

Observe se ela está respirando bem, interagindo, mamando ou se alimentando, aceitando líquidos e urinando normalmente.

Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação individual. Se tiver alguma dúvida sobre a saúde do seu filho, estou à disposição para ajudar.

Dra. Bruna Cezar
Pediatria e Cardiologia Pediátrica
CRM-SP 150.104 | RQE 82125 | 821251

Sobre a autora

Dra. Bruna Cezar, formada em pediatria pela Universidade de Federal de São Paulo, com especialização em Cardiologia Pediátrica e Ecocardiografia Infantil e Fetal, pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Com anos de experiência e atuação na área, dedico-me a oferecer um atendimento de excelência, priorizando o cuidado humanizado e a atenção personalizada às necessidades de cada criança, que são únicas.

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