Choro, gritos, jogar-se no chão e dizer “não” para tudo podem preocupar — e até desafiar — os pais. Mas, principalmente nos primeiros anos de vida, as birras fazem parte do desenvolvimento emocional da criança.
Nessa fase, a criança começa a buscar mais independência, quer fazer escolhas e testar limites, mas ainda não possui maturidade suficiente para controlar plenamente suas emoções e lidar com frustrações. Por isso, sentimentos intensos podem aparecer na forma de choro, gritos ou comportamentos de oposição.
O que fazer durante uma birra?
Algumas atitudes ajudam a atravessar esses momentos de forma mais tranquila:
- Mantenha a calma. Gritar ou perder o controle tende a aumentar o conflito.
- Garanta a segurança. Se houver risco de a criança se machucar ou machucar alguém, intervenha.
- Não ceda apenas para interromper a birra. Limites precisam ser claros e consistentes.
- Evite longas explicações durante a crise. Quando a criança está muito desorganizada emocionalmente, aquele não é o melhor momento para ensinar.
- Acolha o sentimento sem necessariamente aceitar o comportamento. É possível reconhecer que a criança está frustrada e, ao mesmo tempo, manter o limite.
- Depois que ela se acalmar, converse. Ajude-a, de maneira adequada à idade, a reconhecer e nomear o que sentiu.
- Antecipe situações difíceis. Fome, sono, cansaço, mudanças bruscas de rotina e excesso de estímulos podem favorecer crises.
E lembre-se: acolher não significa permitir tudo. A criança precisa tanto de afeto quanto de limites seguros e previsíveis.
E a famosa “crise dos 2 anos”?
Por volta dos 2 anos, a busca por autonomia se torna especialmente evidente. A criança quer explorar, escolher e fazer muitas coisas sozinha, enquanto sua capacidade de autorregulação ainda está em desenvolvimento.
Por isso, o “não”, a frustração e as birras podem aparecer com maior frequência.
Mais do que tentar eliminar todas as birras, o objetivo é ensinar, aos poucos, maneiras mais adequadas de reconhecer e expressar as emoções.
Quando conversar com o pediatra?
Vale procurar orientação quando as crises são muito intensas ou frequentes, envolvem agressividade importante ou risco de ferimentos, interferem significativamente na rotina familiar ou escolar, ou quando existem outras preocupações relacionadas à linguagem, interação social, sono ou desenvolvimento.
Cada criança tem seu próprio ritmo, e o acompanhamento pediátrico também é uma oportunidade para avaliar o desenvolvimento emocional e orientar a família.
Birra não significa necessariamente falta de educação. Muitas vezes, é uma criança que ainda está aprendendo a lidar com emoções grandes demais para as habilidades que possui naquele momento.
Dra. Bruna Cezar
Pediatra e Cardiologista Pediátrica
CRM-SP 150.104 | RQE 82.125 | RQE 82.125-1


